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Publicado em:
6
2/2018

Mercado mundial e oportunidade nos licenciamentos favorecem indústria nacional

Ao mesmo tempo em que parece assustador, o horizonte da indústria de brinquedos, cada vez mais globalizada, pode oferecer oportunidades para os fabricantes brasileiros nos próximos anos.

De volta da feira de Hong Kong, o presidente da ABRINQ – Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos, Synésio Batista da Costa (foto), trouxe na bagagem informações valiosas do mercado mundial para os associados da entidade.

Segundo ele, os grandes fabricantes mundiais, por diferentes motivos, tiveram seus volumes de vendas bastante afetados ao longo do ano passado, ainda que no planeta as vendas de brinquedos tenham registrado crescimento - de acordo com relatório anual de 2016 da NPD Group’s Global Toy Market Report, o mercado mundial do brinquedo foi de US$ 89 bilhões, vem crescendo desde 2011 a 2,3% e em 2016 aumentou 4%.

Some-se ao cenário o fato de que os maiores licenciadores mundiais não têm criado “best sellers”, abrindo espaço para os criadores de brinquedos e animando fabricantes que apostam em suas próprias marcas. O presidente da ABRINQ identifica um movimento de fabricantes chineses independentes rumando em direção a linhas próprias e a manufatura migrando para países como Vietnã, Malásia e Filipinas, entre outros, por conta do aumento sistemático dos custos de produção na China.

Esse movimento de muitos fabricantes americanos e vários chineses independentes moverem os olhos para a América do Sul e o Brasil, particularmente, representa uma realidade aumentada para o nosso mercado, observa Synésio, por estar concentrado nas mãos de cinco a seis grandes importadores.

O perigo, diz, é que uma redução robusta nas importações põe o mercado nacional muito perto do limite da capacidade instalada para atender a demanda. Duas das maiores redes de varejo juntas detêm 40% das vendas de brinquedos, as demais 20 cadeias especializadas, algo próximo de 45%; e os restantes 8.000 pontos de venda no País ficam com 15% das vendas ao público.

A oportunidade, segundo o presidente da ABRINQ, está na indústria nacional ampliar sua capacidade fabril nos próximos três a cinco anos, porque o mercado ainda conta com legítimos mecanismos de compensações. Enquanto os europeus presenteiam seus filhos com 30 brinquedos per capita por ano, os Estados Unidos em torno de 28, no Brasil atingimos apenas 6 por criança, considerando as que ganham e as que não vão ganhar. Ou seja, há bastante espaço para crescer.

O Brasil tem cerca de 45 milhões de crianças consumidoras e uma natalidade diária muito estruturante. Em 1996, após a grande depressão sofrida pelo setor, os fabricantes nacionais detinham 38% de participação de mercado e, nestes anos, com tudo que a ABRINQ pôde fazer pelo setor em conjunto com diversos atores Federais, Estaduais e Municipais, alcançaram algo em torno de 58% de participação.

Observado o desempenho da indústria nacional nos últimos anos, desde 2009 o faturamento vem crescendo, com a produção assumindo mais participação dos brinquedos importados. Em 2017, o faturamento total da indústria (preço varejo) foi de R$ 10,5 bilhões, crescimento de 8,5% em relação a 2016.

TAGS: Indústria de brinquedo, mercado mundial, licenciamentos, oportunidade, ABRINQ, Synésio Batista da Costa

Fonte: Primeira Página